A privacidade dos dados no Metaverso 

Olá, se nos tem acompanhado nesta viagem por este admirável mundo novo digital, já sabe de que trata o Metaverso, como funcionará a sua economia e qual o impacto no mundo do trabalho. 

Neste penúltimo artigo desta série, iremos abordar a importância da privacidade dos seus dados num mundo inteiramente digital, onde a cibersegurança assumirá um papel fundamental no bom funcionamento desta digisfera. 

Um verdadeiro comboio de dados no Metaverso

Na sua presente forma, a internet já ajunta grandes quantidades de dados, seja sobre a forma de cookies, para registar sessões de utilizadores num website, seja através de gateways de pagamentos, para o registo de transacções, ou até mesmo em jogos online, para registar as estatísticas e actividades dos jogadores.

Se extrapolarmos esta ideia para os novos mundos digitais, onde o acesso é feito através de dispositivos de realidade virtual, misturados com software de realidade aumentada, podemos prever a quantidade gigantesca de dados, que toda a infraestrutura terá que suportar. A forma como os utilizadores irão interagir com o mundo digital, as compras que irão realizar, os locais virtuais onde irão trabalhar ou até uma simples ida a um médico virtual, irão exigir um enorme fluxo de dados, que terá que ser preservado e protegido de potenciais ataques que se não forem evitados, poderão ter consequências nefastas, quer para os utilizadores, quer para os negócios que operem nesta digisfera.

Por outro lado, a própria privacidade dos utilizadores poderá ser comprometida pelo próprio sistema. Se pensarmos que a forma como um utilizador se move pelo Metaverso, com que utilizadores ou marcas interage, que ações toma, poderão ser captadas pelo sistema, levanta a grande questão, de até que ponto o sistema não poderá se tornar num gigantesco “Big Brother” virtual. 

Até mesmo a dilatação das pupilas do utilizador poderá ser captada pelo dispositivo de realidade virtual, com que o utilizador acede ao mundo digital, tornando-se num forte indicador de estímulos positivos ou negativos, passível de ser vendido a negócios de terceiros.

Então até que ponto os meus dados estarão seguros?

Um dos problemas da realidade virtual, é que ainda não existe uma clara resposta aos problemas de privacidade a que o mundo real já respondeu.

Embora na Europa já exista um regime geral de protecção de dados, até que ponto esta lei não terá que ser adaptada ou mesmo reestruturada de forma a dar resposta à segurança e privacidade dos dados dos utilizadores destes novos mundos?

Uma coisa é certa, se o acesso a um Metaverso for gratuito, então algo terá que ser dado em troca, basta olharmos para o caso das diversas redes sociais, onde os utilizadores criam uma conta gratuita e em troca são banhados com anúncios acionados com recurso aos seus dados. 

Numa primeira fase do Metaverso, existirá certamente a possibilidade dos utilizadores adotarem um avatar anónimo, o que irá conferir alguma segurança e privacidade ao seu “eu” real. No entanto, ao longo do tempo e à medida que os utilizadores começarem a interagir com o mundo virtual, a realizarem compras ou a interagirem com outros membros, poderá existir um enorme “stream” de dados passível de ser analisado pelo sistema.

Por outro lado, num mundo em que tudo é digital, existe um claro perigo de utilizadores com intenções maliciosas, de corromper, roubar ou aceder indevidamente aos dados de outros utilizadores ou até do próprio sistema.

Desde o início deste ano, temos assistido a diversos ciberataques, com consequências nefastas, para pessoas e organizações. É o caso dos ataques à Sic/Expresso, Vodafone ou Germano de Sousa, que afectaram serviços e afetaram a vida dos seus clientes.

No Metaverso, tudo será “feito de dados”, a sua casa virtual, o seu escritório, as roupas do seu avatar, os seus itens digitais, todos passíveis de serem roubados ou corrompidos, constituindo perdas severas para os utilizadores dos mundos virtuais. 

Conseguimos assim prever, como a cibersegurança terá um papel fundamental no sucesso destes mundos digitais e que sem ela uma espécie de anarquia virtual poderá surgir, afastando utilizadores e negócios.

Estamos a chegar ao final da nossa viagem pelo Metaverso, no último artigo desta nossa série, iremos analisar quais serão os potenciais impactos na sociedade, provocados por estas novas realidades. Siga-nos nas nossas redes sociais e “Stay Tuned”.